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Juan Moisés De La Serna
Depressão

Depressão
Juan Moisés De La Serna

Depressão

Quando a tristeza se torna patológica

Dr. Juan Moisés de la Serna

Traduzido por Rosane Bujes

Copyright © 2018

Prefácio

Na vida ocorrem acontecimentos, fatos positivos e negativos, que influenciarão a nossa forma de pensar e de nos comportar, mas também na maneira como nos sentimos.

A tristeza normalmente provém de uma perda ou de um acontecimento que nos parece negativo ou, simplesmente, porque não cumpriram nossas expectativas.

Esta tristeza pode ser passageira, durando apenas horas, dias ou até mesmo semanas. Porém, quando esta tristeza se prolonga e muda a nossa forma de sentir, pensar e agir, pode ser que estejamos diante de um problema mais grave, ou seja, a Depressão.

Índice

Prefácio (#u72b6e9e2-2410-5a02-a3e8-0cf74745d86a)

Capítulo 1. Tristeza (#uf0da7f13-46d8-5e48-934d-3236ed31e859)

Capítulo 2. Luto (#udceebeed-36d7-5076-85a5-e8682700236f)

Capítulo 3. Distimia (#u64af2b8e-86d2-595e-b40f-8ae9812de896)

Capítulo 4. Depressão Sazonal (#litres_trial_promo)

Capítulo 5. Depressão Pós-Parto (#litres_trial_promo)

Capítulo 6. Transtorno de Depressão Maior (#litres_trial_promo)

Capítulo 7. Origem da Depressão (#litres_trial_promo)

Capítulo 8. Tratando a Depressão (#litres_trial_promo)

Capítulo 9. Família e Depressão (#litres_trial_promo)

Sobre Juan Moisés de la Serna (#litres_trial_promo)

Dedicado aos meus pais

Agradecimentos

Aproveito aqui para agradecer a todos que colaboraram contribuindo na elaboração deste texto, especialmente à Dra. Mayca Marín Valero, psicóloga e chefe de Treinamento na Federação Espanhola de Parkinson e ao Dr. Ferrán Pädrós Blázquez, professor da Universidade Michoacana de San Nicolás de Hidalgo (México).

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© Juan Moisés de la Serna, 2018

Capítulo 1. Tristeza

Um dos problemas mais comuns que vemos em uma consulta é relacionado com as emoções, seja por excesso de ativação, no caso do estresse e da ansiedade ou por sua inibição, no caso de tristeza e depressão.

Não se trata apenas de que as pessoas estejam mais sensíveis a estes problemas, e, portanto, procuram com maior frequência a consulta psicológica; senão que são os problemas mais comuns sofridos. Muito mais do que qualquer outro transtorno na área de saúde mental.

A tristeza é um estado pelo qual a pessoa deixa de se sentir “plena” ou pelo menos “normal”. É considerada uma das emoções básicas, juntamente com a felicidade ou o medo.

Existem muitas razões que podem causar tristeza, podendo ser desde a perda de um ente querido até o fato de não alcançar um objetivo desejado. Mas talvez a mais grave é a presença de uma doença, principalmente, se esta doença é incurável ou crônica.

Há muito tempo, deixou-se de discutir a relação entre a saúde física e a mental. Haverá um efeito direto no estado de ânimo da pessoa que sofre de um mal físico e, consequentemente, as demais áreas também serão atingidas, inclusive a forma em que a pessoa se relaciona com as pessoas e consigo mesma.

Quando uma pessoa se sente mal, por exemplo, por sofrer uma enfermidade crônica, o seu humor pode mudar significativamente, podendo levar o paciente a ter uma depressão.

Mas quando os sintomas da depressão aparecem, a situação piora já que os efeitos são fortes, reduzindo a qualidade de vida e o ânimo da pessoa. Além de afetar também o sistema imunológico, o que leva o paciente a um círculo vicioso.

Quanto pior o paciente está fisicamente, pior se sente psicologicamente e, quanto maiores os sintomas depressivos, pior responderá o corpo. Ao contrário, de facilitar a recuperação irá prejudicá-la.

As consequências deste círculo vicioso é um agravamento dos sintomas, piorando a qualidade de vida do paciente, fazendo com que seja menos tolerante ao que acontece e, portanto, tendo um pior prognóstico comparado com outro paciente que não tenha os mesmos sintomas depressivos.

Daí a importância de detectar os primeiros sintomas da depressão, para poder tratá-los logo que possível para que não avance e prejudique ainda mais a saúde do paciente. Precisamente no tratamento encontramos uma das grandes dificuldades, pois às vezes o farmacológico é incompatível com a doença crônica. Então, será preciso focar-se, exclusivamente, na área psicológica. Mas quantas pessoas que sofrem de uma doença crônica têm depressão?

Exatamente a isso, pretendia responder a pesquisa realizada pelo Departamento de enfermagem de saúde comunitária, o Colégio Universitário Al Farabi, a Faculdade de Enfermagem da Universidade da Jordânia, a Faculdade de enfermagem da Universidade do Rey Saud e o Centro de câncer do Rei Hussein (Jordânia), recentemente publicada na revista científica de Psicologia, em 2014.

Envolveu oitocentos e seis pacientes, dos quais 45% eram mulheres. Todos eles estavam sofrendo de uma doença crônica pelo menos nos últimos seis meses, tal como: diabete tipo II, artrite reumatoide, enfermidades cardiovasculares, câncer ou doenças pulmonares.

Foram excluídos do estudo pessoas que já tinham um histórico de problemas de saúde mental anterior.

Foram usados seis questionários traduzidos para o árabe, o Multidimensional Scale of Perceived Social Support, para analisar a percepção de apoio social dos pacientes, o Beck Depression Inventory-II (BDI-II), para avaliar a presença de sintomas depressivos, o Psychological Stress Measure (PSM), para avaliar os níveis de ansiedade, o COPE Inventory, para avaliar a gestão do stress, o Life Orientation Test (LOT-R), para verificar os níveis de otimismo e o Sastisfaction with Life Scale para os níveis de satisfação com a vida.

Os resultados indicam que metade dos pacientes com doenças crônicas apresentam sintomas depressivos, 27% deles são leves e 31% são moderados.

Da mesma forma, esses pacientes em metade dos casos mostram baixos níveis de otimismo, com uma capacidade moderada para gerenciar stress, apesar de que possuam altos níveis de satisfação com sua vida, níveis moderados de stress e baixos níveis de percepção de apoio social.

Devemos lembrar que esses resultados foram obtidos através de questionários respondidos pelos próprios pacientes, portanto, alguns resultados são melhores do que o esperado com respeito à satisfação com a vida ou com os níveis de stress.

Uma das limitações do estudo é precisamente a população, objeto de análise, ou seja, somente os pacientes de uma população muito específica foram considerados, tais como eram os habitantes da Jordânia, uma cidade com uma cultura, uma religião e idiossincrasia particular, o que faz com que seja necessária uma nova pesquisa a respeito para poder comprovar se os resultados permanecem idênticos em outras populações.

Da mesma forma, haver reunido dentro do grupo de estudo, pacientes com diagnósticos de enfermidades graves tão diferentes e com prognósticos tão distintos, como por exemplo, o de diabete e de câncer, podem haver afetado os resultados.

Seria melhor escolher um único grupo de enfermos crônicos e observar entre eles, o número de pessoas que padecem sintomas de depressão, já que a informação obtida a respeito teria maior validade ecológica.
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